
That’s why I really can say - TopWay - A New Way to Face Life. Thank you very much

That’s why I really can say - TopWay - A New Way to Face Life. Thank you very much
Por: Fernando Milani Marrera
Sabe aquelas vezes que agente vai à igreja e escuta falar sobre o fim do mundo? Eu não sei como é que o mundo vai acabar, mas com certeza não é da maneira que descrevem. É como o padre João disse uma vez: “O mundo vai acabar por falta de amor” e agora eu estou em um lugar gelado e estou sozinha.
A culpa seria minha? Eu nem sabia o que estava acontecendo. Começou em um dia quente de verão quando cheguei da escola. Como sempre fazia, coloquei meu casaco no bengaleiro atrás da porta e fui entrando. Meus pés estavam sujos com a terra da rua e eu desobedeci a uma das regras da mamãe de não entrar com o calçado dentro de casa. Eu passei pela sala, indo em direção ao meu quarto, correndo pra ela não poder me ver de tênis, quando escutei a voz do pai gritando com ela. Foi horrível, pois ele a chamava de nomes horríveis. Aproximando-me um pouco mais da cozinha eu pude observar que ele lhe apontava uma faca enquanto ela chorava. “O que está acontecendo mãe?” eu disse e ela me respondeu que não era nada e que meu pai só estava um pouco alterado.
No dia seguinte foi a mesma coisa, pois entrei em casa escutando a mesma discussão e dessa vez mamãe estava sentada no sofá da sala com um olho machucado. Eu não entendi o que estava acontecendo e recebi a ordem de ir para o meu quarto. Todas as noites eu escutava uma briga diferente vinda do quarto da mamãe e o papai sempre acabava dormindo na sala. O que estava acontecendo? Eles não se gostavam mais?
Eu perguntei pra minha professora o que poderia estar acontecendo, pois antes meus pais se gostavam muito, viviam abraçados, se beijando e me convidavam pra sair todos os domingos depois da missa e dos brownies especiais que a mamãe fazia. Mas agora eles brigavam toda hora. A professora me chamou para a sala de uma mulher esquisita que usava óculos finos e com manchas estranhas nas laterais. Essa mulher falava esquisito com um monte de palavras difíceis e usava um casaco de cor marfim. Disse-me que era uma tal de “pisic” alguma coisa da escola e ficava me enchendo de perguntas anotando tudo o que eu dizia pra depois, no final, falar que eu estava passando por problemas com meus pais. Mas é claro, era o que eu estava tentando dizer o tempo todo! Acho que eu deveria ter desenhado.
Duas semanas se passaram e as brigas ainda continuavam. Ouvi certa vez mamãe dizer que ia pra casa da vovó se as coisas não melhorassem e vi pela primeira vez o papai chorar. Eu não estava entendendo nada, porque o pai e a mãe sempre se gostaram, mas o que estava acontecendo agora?. Era domingo quando fomos à missa escutar o sermão do padre João. Eu o adorava, pois ele sempre falava coisas muito interessantes, era realmente um intelectual. Nesse dia ele nos falou que o amor é a coisa mais importante no mundo e que ele está em todos os lugares inclusive dentro de nós. Falou também que Jesus só morreu na cruz porque amava todas as pessoas.
Foi justamente nesse dia que eu percebi que a mamãe não estava mais fazendo os seus brownies de chocolate quentinhos que ela sempre fazia depois da missa. Além disso, não tínhamos combinado de sair naquela tarde. Fui perguntar por que ela estava tão estranha e ela mandou-me pro meu quarto.
A professora nos pediu no dia seguinte que escrevêssemos uma carta a ser destinada ao senado. Deveríamos fazer perguntas e dar sugestões de como melhorar a vida das famílias no país. Em minha carta eu perguntei por que os pais tinham que ficar brigando toda hora e porque sempre depois dessas brigas a mamãe sempre aparecia com uma parte do corpo roxa. Isso não era certo, pois num país livre as pessoas não deveriam brigar!. Após ler minha carta a professora mandou-me novamente para a sala da mulher com óculos estranhos, que me encheu de novas perguntas.
Eu não estava entendendo mais nada. Quando cheguei em casa vi mamãe sentada no sofá chorando e dizendo que as coisas iriam mudar dali pra frente. E realmente mudaram, pois na manhã seguinte quando eu levantei pra ir à escola não encontrei meu café da manhã na mesa, a casa estava vazia e eu fiquei com medo, me deitei no sofá e comecei a chorar. Papai passou pelo corredor deprimido e com e uma garrafa na mão, dizendo que a mamãe tinha ido embora e que não iria mais voltar.
Eu comecei a chorar e gritar, porque eu queria minha mãe. Meu pai mandava eu me calar e eu chorava ainda mais. Ele perdeu a paciência e me bateu. Porque ele estava me batendo? Papai sempre me pegara no colo e dizia que me amava, então porque isso agora? Será que foi algo de errado que eu fiz com ele e com a mamãe? O problema seria eu?
Na manhã seguinte quando me levantei escutei outra discussão na sala de casa e pensei que a mamãe havia voltado, quando me aproximei pude observar que quatro pessoas estavam na sala além do papai. Era a professora, a tal “pisc” alguma coisa e dois sujeitos estranhos de terno. Papai gritava com eles e a professora gritava ainda mais alto dizendo que “era a lei” e que eu não merecia. Os homens de terno se aproximaram de mim e disseram que eu não iria pra escola naquele dia e que eu deveria arrumar minhas coisas, pois iria passar uns tempos em outro lugar. Papai chamou-os por nomes feios e tentou agredir a professora. Então um dos homens de terno o algemou e prendeu-o enquanto ele berrava.
Eles me tiraram de casa e me levaram pra um lugar estranho com várias crianças tristes e sem pais. Disseram-me que eu ficaria morando ali por um tempo até as coisas se ajeitarem. Tive que sair da minha escola e me mudar para outra que ficava mais próxima desse local e então foi onde eu perdi o contato com minhas amigas. Eu estou sozinha agora, no meio de um monte de gente estranha que eu não conheço e com muito medo.
Cadê o amor que o padre João disse que existia em todos os lugares? Será que ele sempre acaba? Eu não posso entender porque papai e mamãe me amavam tanto e agora por causa de brigas entre eles papai está preso e a mamãe fugiu, deve ser por minha causa. Acho que eles brigavam porque não me amavam mais e talvez papai estivesse querendo obrigar a mamãe a ficar comigo, será que foi por causa disso?
Eu não entendo nada do que aconteceu, mas agora eu sinto falta da minha casa, do meu quarto, dos meus lençóis de algodão sempre quentinhos, das minhas bonecas, das missas do padre João no domingo e dos brownies de chocolate quentinhos que a mamãe sempre fazia e me chamava com sua doce voz e seus lábios sempre sorridentes; dos nossos passeios, do papai me pegando no colo e me dizendo que eu era a sua princesinha; sinto falta das noites de natal em que jantávamos todos ao redor da mesa e papai sempre criava uma história diferente usando as renas do papai Noel como personagens.
Agora eu entendo porque as pessoas têm tanto medo do fim do mundo, pois é como o Padre João disse: “ele é marcado pelo fim do amor” e eu estou sentindo isso na pele, sendo renegada, abandonada pela minha mãe e retirada de meu pai, e eu ao menos tenho a chance de saber onde foi que eu errei. Hoje eu vivo aqui, nesse local repleto de meninas e meninos como eu, jogada à própria sorte e esperando que um dia tudo se resolva.
Meu nome é Cristina, tenho 10 anos e termino aqui este relato que destino a todos os que puderem responder as minhas perguntas, pois quero minha vida de volta. Quero minha família de volta!. Quero meu amor de volta. Pois onde foi que eu errei? Eu não sei.
"Pense, Pense. Continue pensando. Não fuja da incrível capacidade de pensar, do fugaz desejo de ser e da brilhante arte de amar. Faça seu jogo traçando metas e planos, seguindo a vida na intensidade de cada momento, para que novamente as sensações de cada ser despertem sua capacidade de pensar, abrindo sua mente às profundas percepções do coração e aguçando ainda mais o brilhante desejo de amar".
Fernando M. Marrera