O Egito antigo de fato foi um império de notável organização social. Após grandes evoluções no ramo da agricultura, a civilização necessitava cada vez mais de um governante que administrasse de maneira organizada a produção, a colheita e as enchentes. Tal fator contribuiu para a centralização do poder e o aparecimento da figura governante do faraó. A autoridade do faraó era incontestável, pois este era considerado o filho do deus vivo na terra e cabia a si manter a harmonia perfeita da criação. Ele era, mais do que um rei, um ser que deveria zelar pela felicidade de seu povo e manter constante o culto aos deuses. Representava todos os serviços públicos e qualquer coisa que se desalinhasse nessa ordem cosmológica ou social era por um desequilíbrio de sua autoridade e um reflexo de um governo enfraquecido ou mal ordenado. Neste caso, algumas vezes ocorria à substituição do faraó através de golpes de pessoas da corte que se aproveitavam dessa instabilidade para ascender.
O posto de faraó era hierarquizado, o que ocasionava brigas entre familiares do rei para ver quem ascenderia ao trono. No entanto, para evitar situações como estas, e para manter seu governo mais organizado, existiam em sua corte ou fora dela, hierarquias organizadas de funcionários que lhe prestavam serviços. O comércio exterior e a organização da produção e colheita agrícola eram realizados pelo estado através de representantes do rei.
Os templos também possuíam grande autoridade, pois viviam em constante relação com o faraó e sua corte. Os funcionários do rei e dos templos eram recrutados entre os escribas que por possuírem o dom da escrita tinham a chance de mostrar ao rei suas competências e dedicações podendo ascender em seus cargos, sendo eles por muito tempo os ocupadores dos mais altos cargos da corte. O rei também deveria zelar pela segurança de seu país, nomeando generais que lideravam campanhas e guerras em seu nome, sendo os prisioneiros transformados em escravos nas lavouras do palácio e do templo. Esses soldados que iam à guerra eram os próprios camponeses que após terem plantado, dividiam o restante do seu tempo entre empreender campanhas militares ou ajudar no transporte de blocos de pedras pelo Nilo para a construção de palácios, templos, tumbas, etc.
Portanto, de um modo geral é notável a organização política e social do Egito faraônico, sendo a autoridade concentrada teoricamente nas mãos do rei, mas dividida em inúmeros cargos e postos que o representam fazendo com que assim a ordem permaneça estável.


